Ao Mestre com Carinho!
A foto é antiga,o homem também.Já não está mais entre nós,mas contribuiu muito para o desenvolvimento cultural de nosso país.Um homem cosmopolita,de uma cultura profunda,poliglota,tradutor de diversas obras.Conheci-o,quando em 1968,ingressei no Colégio PedroII,meu primeiro grande êxito,em vista de minhas origens humildes e,pais modestos e trabalhadores,que investiram em minha Educação.Colégio considerado Padrão,por sua rigidez curricular e dos famosos concursos de admissão ao ginásio,onde sucumbiam muitos postulantes,pela dificuldade encontrada na formulação das provas,por serem todas eliminatórias.Nesse 1968,as duas primeiras,Português e Matemática,elimaram tantos,que as duas seguintes,Geografia e História ,foram classificatórias.Mas ter acesso ao Grande Colégio foi um feito logo deixado para trás,pois era de interesse da instiuição acabar com o Ginasial na seção Centro e,cada ano que passava,o anterior ia sendo desativado e os alunos reprovados,tinham que serem remanejados para outras seções.O ensino era sistemático,mas meus colegas,eram brilhantes.Tinha a impressão de que já sabiam a matéria,quando esta era dada,ou o poder de assimilação desses,ficava acima da média.Imaginem nossa idade era compreendida entre 10 e 12 anos,saídos das escolas públicas,onde a figura materna de uma professora,que cuidava de toda a turma,com a ternura de uma segunda mãe,que instruía-nos,compartilhando conhecimentos,tão bem passados,que fixaram-se para sempre em nosso cérebro.Ao entrar no ginásio e no PedroII,encontramos homens austéros,muitos deles catedráticos,bem resolvidos na vida,rigorosíssimos e,cobravam-nos um desempenho a altura do conhecimento,que os mesmos obtiveram a custa de muito esforço pessoal.Causava-nos pesadelos,frios na barriga ao aproximarmos do Colégio e,um questionamento,se merecíamos fazer parte desse grupo seleto.
Esse homem,que transparece rigor ao extremo,enchia-nos de nota dez, a cada resposta correta a arguições feitas em sala-de-aula,enfrentando os olhares fixos dos colegas,que esperavam ansiosos por uma resposta positiva,que merecesse a premiação máxima.Entretanto se ao contrário,fosse demonstrado pouco desempenho,pagávamos o preço do desleixo,com risos irônicos dos amigos.Contudo ali,começamos a ter o parâmetro do homem,que deveríamos ser,pois a vida não é fácil para quem não busca a informação,o conhecimento e a aplicação necessária para o sucesso na vida.Sua dureza,era uma camuflagem,que escondia o carinho,dedicação e zelo por quem ajudava a formar,com os valores mais altos necessários a fomação de um cidadão.Migrou para o Brasil,fugindo dos rigores da Segunda Grande Guerra,plantando sementes de amor e sabedoria,e hoje,árvores maduras e frondosas,espalhadas por todo o globo,agradecidos de compartilharem da convivência de um grande homem,que moldou e formou,hoje homens de meiaidade,que mantém na memória,músicas folclóricas infantis e o Hino Nacional da França e,nunca mais esqueceram de Jean e Collette,personagens do seu livro de Francês,que encantou-nos e desenvolveu em nosso imaginário as primeiras fábulas,onde no final, o amor sempre prevalece.Obrigado Professor Paulo Rónai,Grande Mestre de Francês!



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